Jesus o amava, mas ele morreu!

Jesus amava Lázaro, mas Lázaro morreu. E se ressuscitou, antes havia morrido, de dia em dia, de fôlego em fôlego, até o fim; e, depois, tão bem morrido esteve, que apodreceu ao ponto de criar o choque de repugnância que sobre todos veio. “Já cheira mal. Já é de quatro dias” – era o que se sabia sem dúvida alguma.

Enquanto ficava fraco, era amado. Enquanto sucumbia à doença, era amado. Enquanto falia dia a dia, e gemia em dores, até esvair-se, e morrer, era, todavia, muito amado.

E se não tivesse ressuscitado seria menos amado?

Ah, não mesmo! Afinal, Jesus mesmo disse que estava fazendo o que fizera, apenas para que os homens cressem, e não para Lázaro se sentisse mais amado.

Lázaro morreu. Mas e daí? Se Paulo dizia que era lucro partir e estar com Cristo, que não dizer do fato que para Lázaro o céu estava Lá e estava Cá; pois, Lá, estava Cristo, no Mistério do Pai; e, Aqui, estava Jesus, que era Um com o Pai.

“Já passou da morte para a vida” é a garantia que Jesus nos dá quanto ao fato de que agora tudo é nosso, seja a vida, seja a morte, sejam as coisas do presente ou do porvir, tudo é nosso, e nós de Cristo, e Cristo de Deus.

Isto é o que significa a afirmação de Paulo acerca de que nada, em nenhuma dimensão, pode nos separar do amor de Cristo.

Houve outro Lázaro muito amado que morreu e, aos olhos de todos na Terra, ficou morto; só sabendo nós de sua vida eterna pelo apocalipse que Jesus fez, de forma fabulosa e parabólica, da continuidade da existência “daquele Lázaro” no seio de Abraão. Sem Jesus e Seu olhar este segundo Lázaro seria um desgraçado anônimo que havia morrido sem Deus e se perdera. Para quem têm bens, mendigos parecem não ter eternidade.

“Está enfermo aquele a quem amas”, mandaram dizer a Ele; mas Ele ficou ainda alguns dias no lugar onde estava.

Jesus amava a Lázaro sadio, enfermo, morto, ressuscitado, morto outra vez, e unido ao outro Lázaro no carinho de Abraão.

Jesus ama a Lázaro. Lázaro é que imagina que o Lázaro amado por Jesus é o Lázaro socorrido com pressa: antes de a doença chegar, antes da dor se instalar, antes da fraqueza abater, antes do ar faltar, antes do coração parar, antes do cérebro entrar em irreversibilidade.

Jesus, no entanto, ama Lázaro podre! E não o faz deixar de estar podre de tão morto que estava apenas para provar que amava a Lázaro. Afinal, somente Jesus sabe se é a vida, a morte, a dor, a perda, o socorro, ou indisponibilidade de Deus aquilo que levará o homem ao amor de Deus.

Jesus ama Lázaro vivo ou morto!

Sim, pois, para Ele, a luz e as trevas, a vida e a morte, são a mesma coisa.

Jesus ama!

E é só isto!

Só isto?

O que você quer mais?

Caio
11/02/08
Lago Norte
Brasília
DF

apenas um comentário

  1. Esse artigo do Caio foi maravilhoso, principalmente nos dias de hoje, onde “teologia da prosperidade” tem terreno fértil nas igrejas.
    Vou deixar aqui, uma reflexão para vocês, aí em Goiânia:
    Salmos capítulo 46, versículos 1 a 7:

    “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia; pelo que não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares; ainda que as águas rujam e se pertubem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza; há uma rio cujas correntes, alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo; Deus está no meio dela não será abalada. Deus a ajudará ao romper da manhã; os gentios se embraveceram, os reinos se embraveceram, os reinos se moveram, ele levantou a sua voz e a terra se derreteu; O Senhor dos Exercítos está conosco, o Deus de Jacó é nosso refúgio”.

    Qual é a sua segurança? Qual é o seu porto seguro? Vivemos em uma sociedade que é assaltada pelo medo, pela depressão, pelas incertezas das mais diversas. O salmista disse em outra ocasião: De onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a Terra. No livro de Isaías no capítulo 32, falando profeticamente sobre Jesus, diz Ele seria um refúgio contra a tempestade. Se neste momento está passando uma “tempestade” ou “terremoto” sobre a sua vida, saiba o Senhor não te abandonou, se não fosse Ele, você já teria sido esmagado(a) pelas pressões da vida. A Bíblia não promete para ninguém que não haverá aqui na terra: problemas, dores, perdas. Não. Jesus diz no Evangelho de João: “No mundo tereis aflição, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. E por isso, que o salmista diz que ainda haja tsunamis (sejam eles literais ou existenciais), a mão de Deus não vai soltar a sua. Sabe por quê? Porque eu e você estamos gravados nas palmas das mãos de Deus, conforme Isaías 49: 15 e 16. Cada prego que Jesus recebeu na cruz, era como se Ele estivesse dizendo: “Eu amo você e esse sacrifício e por tua causa”.

    Nele que é a nossa força e a nossa rocha.

    Juber Donizete Gonçalves
    http://www.juberdonizete.blogspot.com/


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